sexta-feira, 2 de setembro de 2016

CUSCO, A CAPITAL HISTÓRICA E ARQUEOLÓGICA DO PERU!

O Peru tem muitas cidades turísticas - Arequipa, Lima, Trujillos, Iquitos, Ica, Nazca, Cajamarca, Puno, entre outras . Mas talvez nenhuma tão emblemática quanto Cusco.

Desfile da comunidade de Chinchero em Cusco, no Peru, em junho de 2016. Foto: Carlos HB

Cusco, a capital do antigo império inca,  é, não sem razão, a "Capital Histórica do Peru", a "Capital Arqueológica da América" e "Patrimônio Cultural Mundial" pela UNESCO desde 1983.  E uma das cidades mais belas do mundo.

Vista de Cusco, a antiga capital do Império Inca. Umbigo do Mundo.

A urbe peruana tem uma população estimada em 450 (quatrocentos e cinquenta) mil habitantes (dados de 2015).  Desde Lima, são 21 horas de ônibus e 1 hora e 10 minutos de avião. A média de temperatura da cidade varia de 0º a 22º. Em junho, auge das festividades culturais na cidade, a temperatura chega a ficar negativa durante a madrugada, tendo variações de 10º a 16º durante o dia e caindo quando sai o sol.

Cusco está localizada em um amplo vale dos Andes, no qual correm rios pequenos que formam o rio Watanay, que deságua no Urubamba (que fica no Vale Sagrado) que, por sua vez, tem como destino final o Rio Amazonas.  

No início de sua história, a atual Cusco teve o nome de "Aqhamama" (ou "Madre Chicha"). Já na época dos Incas, o nome foi mudado para "Qosqo", cujo significado é "Umbigo do Mundo" (apelido da cidade até hoje).  Qosqo foi a capital de Tawantinsuyo (Estado Inca) e ao mesmo tempo a cidade sagrada mais importante do mundo andino.   

Pachakuteq, o mais famoso Inca, foi quem reestruturou e deu forma de puma à cidade de Cusco. O imperador dividiu a cidade em dois pontos: Cusco de Cima (Hanan Qosqo) e Cusco de Baixo (Urin Qosqo). O centro da cidade era, como ainda é hoje, a atual Plaza de Armas.  

Pachacutec, o mais emblemático imperador inca, homenageado na Praça das Armas de Cusco.
Pizarro, o espanhol conquistador, chegou na cidade em 18 de novembro de 1833, modificando a cidade dos incas.  Mas nada que tirasse do "Umbigo do Mundo" a sua importância social, econômica e política. 

Cusco é o ponto de partida, a "cidade base", para o Vale Sagrado e Machu Picchu. Ou seja, é o destino turístico mais importante e relevante do Peru. A cidade, em si, conta com muitas atrações. Listamos as principais: "La Catedral", a "Plaza de Armas"; a "Iglesia de La Compania (Igreja Companhia de Jesus)" , o "Koricancha'; a "Pedra dos Dozes Ângulos"; o "Museu de Arte Religioso", o "Museu Inka"; o "Museu de História Regional", o "Museu de Arte Precolombino' e o interessante bairro de "San Blas". 

O coração de Cusco é a "Plaza de Armas" (Praça de Armas).  Historicamente, a praça era dividida em duas: a Waqaypata e a Kusipata. Era o centro do mundo andino, de onde partiam todos os caminhos em direção às regiões do Tawantinsuyo. Ali também se celebravam todas as festividades, incluindo o Inti Raymi (Festa do Sol, que depois foi deslocada para Sacshuayman). Antes, só havia palácios por esta praça; com a chegada dos espanhóis, tudo foi destruído e as construções atuais acabaram por refletir um sincretismo entre as culturas andinas e ocidental.

É ali, na Praça de Armas, que residem duas das mais notáveis atrações da cidade, na forma de igrejas, a saber, a "Catedral" e a "Igreja da Companhia de Jesus". São as duas igrejas mais importantes e belas da cidade, cidade esta caracterizada por um número considerável de templos religiosos, principalmente católicos.

A Praça de Armas, com a Catedral de Cusco ao fundo.
A Catedral teve sua construção, que durou 100 anos, iniciada em 1560. Foi erigida sobre o palácio do inka Viracocha. A fachada é renascentista e o interior riquíssimo - são centenas de obras (pinturas) da famosa "Escola de Cusco" em meio a muito ouro e prata. Os principais atrativos da igreja são o coro de cedro, o crucifixo do senhor dos terremotos ("El Senor de Los Tremores"), a pintura de Marcos Zapata chamada "A Última Ceia" e as duas capelas locais, a saber, "El Triunfo" (a primeira igreja) e "Iglesia Jesus, Maria y José" (que retrata a Sagrada Família). Simplesmente imperdível, a igreja cobra entrada e os guias apresentam as atrações, sem possibilidade de fotos. 

A Igreja da Companhia de Jesus, por sua vez, teve sua construção, que durou 17 anos, entre 1651 e 1668, sobre o antigo palácio de Huayna Capac (o "Amarukancha"), o décimo-primeiro inca. Tem também em seu interior muito ouro (destaque para o altar), pinturas da escola de Cusco e janelas de pedra huamanga, 

A belíssima Companhia de Jesus de Cusco.

O Koricancha, também chamado de "O Templo do Sol", ou ainda "Intikancha" (nome original), foi o templo do sol mais importante de todo o Tawantinsuyo. Todos os aposentos estavam dedicados a muitas divindades, como o deus sol, a deusa lua, as estrelas, a mãe terra, a Água, o Arco Íris, o deus Wiraqocha. Também ali se guardavam as múmias dos imperadores incas e suas esposas. Existia também um jardim dedicado ao sol, no qual haviam plantas e animais em tamanho natural, feitos em ouro e prato. Pizarro, o conquistador espanhol, tomou posse do lugar e doou para a ordem dominicana. 

Koricancha.
 De interesse no Koricancha também é a representação "Los Seq´es". Trata-se de uma série de linhas imaginárias que dividiam o território, assim com a sociedade inca. Partiam desde o Koricancha em direção a todas as regiões do Tawantinsuyo, formando a figura de um sol. Sobre estes "seq´es" estavam localizados os adoratórios ou lugares sagrados, atendidos por diferentes famílias reais. 

Los Seq´es.
A maior curiosidade da cidade de Cusco é também uma de suas maiores atrações: trata-se da "Pedra dos Doze Ângulos", localizada em um paredão na rua Hatanrumiyoq, sendo parte do palácio que pertenceu ao inca Roka e que hoje é o "Museu de Arte Religioso". O mesmo palácio já foi palácio de marqueses, arcebispos, etc. 
A pedra maior é a "Pedra dos Doze Ângulos".

O mais emblemático bairro de Cusco é San Blas. É o bairro dos artesãos, com muitos ateliês. Há também restaurantes. A "igreja de San Blas" ("Templo de San Blas", entrada paga) é o coração do bairro e atração mais importante, datando de 1563.As vielas estreitas ajudam a compor o charme do local, um dos mais bonitos de Cusco.

Vielas estreitas em San Blas.

Templo de San Blas.



Dos museus da cidade, quatro se destacam: o "Museo Inka" (Cuesta del Almirante, 103; peças incas são o destaque);  "Museo de Arte Precolombino" (Plaza Nazarenas, 231; tem pinturas, peças de cerâmica); "Museo de Historia Regional" (Calle Heladeros, esq. com Calle Garcilaso; casa do historiador Garcilaso de La Vega, exibe peças de culturas antigas);  e o "Museo de Arte Religioso" (Esq. Calles Hatunrumyoc com Herrajes; pinturas sacras).

Garcilaso. Trecho das obras. Museu de História Regional de Cusco.
Além das atrações turísticas mais conhecidas, vale a pena ainda conhecer em Cusco o mercado local ("San Pedro"). Lá encontra-se produtos típicos, como o pão gigante ("pan chuta de Oropesa"), grande variedade de batatas e milhos, além de artesanatos locais, destacando-se as bonequinhas e os "tauritos de pukara" (amuletos de sorte, colocados nos telhados das casas). 

Entrada do Mercado San Pedro, em Cusco.


As bonequinhas vendidas na região.

O mercado.

Batatas peruanas.
Não poderíamos terminar uma descrição da antiga capital inca sem falar na famosa "Escola de Cusco" ("Escuela Cusqueña").  A "Escola" foi um movimento derivado do desejo dos espanhóis de converterem a população conquistada para o catolicismo. Tinha também como objetivo a difusão do idioma espanhol. Várias pinturas sacras renascentistas foram importadas da Europa, incluindo obras de Peter Paul Rubens, fazendo com que a arte fosse desenvolvida nos povos andinos. Surgiram vários pintores, a maioria anônimos, que representaram, em suas obras, um sincretismo entre a cultura andina e europeia, tendo como pano de fundo imagens cristãs. As representações de Cristo, de Nossa Senhora e dos santos em geral eram utilizadas pelos padres nas homilias.

Enfim, Cusco é, culturalmente, a mais importante cidade peruana. Uma visita imprescindível naquele país andino. 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

SACSAYHUAMAN, A CASA DO SOL DOS INCAS - O SÍTIO E O PARQUE!

Sacsayhuaman (ou Sacsaywanam), nas proximidades de Cusco, é um lugar especial na história inca. É ali que se realizava a Inty Raimi (Festa do Sol), a principal festa daquele povo pré-colombiano, no solstício de inverno (21 de junho). É ali também que está a "cabeça do puma" (um dos três animais sagrados dos incas)- lembrando que o corpo do animal é a cidade de Cusco.

O esplêndido local é hoje um dos pontos turísticos mais visitados nos arredores de Cusco. Sacsayhuaman é um complemento perfeito: complementa a forma de puma da cidade de Cusco; e complementa a adoração ao sol juntamente com o templo mais famoso de Cusco, o Qoricancha. 


Pedro Sarmiento (1532-1592), historiador e cronista do século XVI, nomeou Tupac Inca Yupanqui (governou entre 1471 e 1493), sucessor de Pachacutec, como o construtor de Sacsayhuaman. O complicado nome desse sítio arqueológico quer dizer "testa franzida".

O lugar foi construído por milhares de homens, que foram se sucedendo ao longo de cinquenta anos. Uma força de trabalho imensa e pujante, que extraiu e carregou, em terrenos inclinados e sobre tronco de madeiras, enormes blocos de pedra calcária (algumas estimadas em mais de cem toneladas).




Curiosamente, algumas pedras foram modeladas - a que chama mais a atenção é a em forma de serpente, uma das divindades incas.

A forma de serpente é marcante neste conjunto de pedras de muitas toneladas.

 É um passeio realizado a partir de Cusco, junto com outros sítios arqueológicos, que fazem parte do "Parque Arqueológico de Sacsayhuaman" (são mais de 30 sítios arqueológicos nesse parque),  localizado 3 quilômetros ao norte da capital inca, sendo os principais, além do aqui relatado, os de Qenqo, Puka Pukara e Tambomachay.

Qenqo (Q´enqo, Kencco, Kenco) é uma palavra quechua que significa "labirinto".  Era um centro cerimonial inca dedicado à Pachamama (ou Mãe Terra), mas que tinha também funções agrárias e astronômicas. Destaque para o altar, no qual se fazia ritos fúnebres.

Altar usado pelos incas para rituais, em Q´enqo.

Puka Pukara, por sua vez, quer dizer "forte vermelho" em quechua. Foi um centro com funções religiosas, sociais e econômicas. Pela sua localização, foi também um ponto de vigilância e controle de trânsito. Tem também lugares para cultos e cerimônias.

Puka Pukara.
Tambomachay, por sua vez, quer dizer "lugar de descanso" na língua dos antepassados dos peruanos (quechua). É um lugar associado à água: tem canos que trazem águas limpas e cristalinas dos mananciais subterrâneas. E a água foi aproveitada também para provisão e irrigação da zona agrícola dos arredores. Para se chegar até as ruínas, há uma caminhada a partir da entrada do parque que leva cerca de cinco minutos.


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Tambomachay.

Uma dica para essas visitas e outras envolvendo Cusco, Parque Arqueológico de Sacsayhuaman e Vale Sagrado é comprar o boleto turístico, que custa mais ou menos 130 reais. Esse boleto dá direito a vários sítios arqueológicos no Parque de Sascsayhuaman e no Vale Sagrado, além de monumentos e alguns museus de Cusco.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

MACHU PICCHU, A ESPETACULAR CIDADE INCA!

A América do Sul tem lugares muito especiais. Mas um deles impressiona pela beleza cênica, pela conservação e pelo ambiente cultural envolvido: é Machu Picchu, a cidade perdida, sagrada e intocada dos incas, situada a noroeste de Cusco, no distrito de Machu Picchu, na Província de Urubamba, no Departamento de Cusco, no Peru. 

Machu Picchu, enevoada cidade perdida dos incas.

Ruínas bem preservadas de Machu Picchu.

Os visitantes na cidade perdida dos incas.

A espetacular cidade perdida dos incas em toda a sua beleza e esplendor.

Para se chegar até lá, duas opções: ir de trem (fomos a partir de Ollantaytambo, em uma viagem que durou cerca de uma hora e meia até o pueblo de Machu Picchu; há ainda saídas de Poroy, nas proximidades de Cusco e de Urubamba) ou por caminhadas, nas famosas trilhas (Inca Clássica, Inca Curta, Salcantay). De trem há várias opções, entre elas os das companhias Peru Rail (Vistadome ou Expedition),  Inca Rail e Orient Express (o luxuoso Hiran Bingham).

O trem da Inca Rail que leva à Machu Picchu, a partir da estação de Ollantaytambo.

É importante pernoitar no povoado "Macho Picchu" ou "Águas Calientes"  e, a partir dele, pegar logo cedo os ônibus que farão o percurso. Uma fila enorme espera o turista que, no entanto, é bem rápida para o tamanho - demora cerca de vinte minutos. O percurso do ônibus para Machu Picchu, cheio de curvas e de um natureza exuberante, sempre mirando o alto,  demora mais de vinte minutos.2.500 pessoas são aceitas por dia no parque (limite que exige que haja reserva em altíssimas temporadas, de junho a agosto).

Os pequenos ônibus que levam à Machu Picchu, a partir do povoado (pueblo).

Chegando em Machu Picchu, sítio arqueológico que fica a 2.350 metros de altura,  é impossível não se impressionar com tanta beleza e com tanta preservação. É inevitável  perguntar: como conseguiram os incas trazer tantas pedras tão gigantescas e colocá-las de uma maneira tão precisa e uniforme? 

O bom dessa história toda de Machu Picchu é que os conquistadores espanhóis (leia-se Pizarro e seus asseclas) não chegaram por ali. Ou seja, a cidade ficou intocada até ser mostrada ao mundo por Hiran Bingham (1875-1956) em 1911, um explorador que foi líder da  "Expedição Científica Peruana de Yale".  Esse intrépido homem encontrou um agricultor local que já havia visto as ruínas, chamado Melchor Arteaga. Um sol (sol é a moeda peruana) foi o valor pago por Bingham para Arteaga lhe mostrar o local, cheio de árvores e plantas sobre ruínas, que viria a ser a principal atração turística do Peru e um dos dez lugares mais famosos do mundo. Era o despertar de Machu Picchu para o mundo.

Bingham homenageado na entrada do parque por ocasião do cinquentenário de sua expedição.
Em 1912, Bingham voltou por lá (como não voltar, não é mesmo? Até para quem já viu Machu Picchu a vontade de voltar é enorme!).  Depois de limpar a densa vegetação que cobria o local e fazer muitas escavações,  os exploradores encontraram uma grande quantidade de objetos, tais como objetos metálicos em cobre, bronze e prata, peças de cerâmica, objetos de pedra, objetos de madeira, micro esculturas, objetos em construção, caroços de pêssego e osso de boi.  Foram também encontradas 107 tumbas com restos mortais de 173 indivíduos, com uma série de oferendas (adornos de prata, cobre, restos de lhamas, cachorros e porquinhos da índia ou cuys, entre outras).

Formidável e espetacular são adjetivos insuficientes para explicar o que é Machu Picchu. A cidade dos incas é muito mais que isso. É a síntese do esplendor de uma cultura caracterizada por avanços significativos na astronomia,  na agricultura e na engenharia. É o lugar com a ruína mais espetacular e sublime que existe na Terra - o "Templo do Sol".

Divergem os historiadores e exploradores acerca das funções da cidade de Machu Picchu.  A maioria dos estudiosos considera que foi uma importante cidade multifuncional inca (llaqta), com um núcleo mágico-religioso e lugar de observação solar, dadas as inúmeras construções para esse fim específico.

Como era Machu Picchu.  Foto: in "Presentando el Perú y Machupicchu", de Saydi Romero.

Machu Picchu foi construída durante o apogeu do império inca (século XV), com as obras iniciadas durante a gestão de Pachacutec. O lugar onde está construída a cidade é resultado de um colapso originado por duas falhas geológicas: a de "Machupicchu" e a de "Huayanapicchu".  Esses picos, aliás, tinham uma representatividade enorme para os incas: os ancestrais dos peruanos acreditavam que os dois picos formavam um casal divino, chamado "Yanatin", uma representação sociorreligiosa emergindo da terra. Ou seja, a geografia de Machu Picchu, para os incas, tinha caráter sacro. Tudo ali evocava representações divinas e símbolos de adoração, como o puma, a serpente e o condor.


Machu Picchu, o pico.
Huayna Picchu (a "Montanha Jovem"), o pico, ao fundo.

Dentre os muitos destaques da cidade, além do "Templo do Sol",  vale lembrar a Cabana do Guardião, a Intihuatana (pedra, uma espécie de relógio de sol), a Praça Sagrada, os outros Templos (o das Três Janelas e o do Condor), as Fontes, o Setor Real, as Rochas (Funerária e Sagrada) e o Bairro Comum.

A distribuição do espaço de Machu Picchu indica hoje, basicamente, dois setores: o urbano e o agrícola.

No setor urbano há a concentração da maioria das atrações do parque. 

"La Portada", ou o "Portal", é o primeiro acesso da cidade sagrada dos incas. 

La Portada.

O "Templo do Sol", belíssima ruína inca, foi um observatório astronômico no tempo inca. A janela apontada em direção ao oeste permite a observação do solstício de inverno, aquele que acontece no dia 21 de junho. A cada dia 21 de junho o primeiro raio de sol ingressa diretamente por esta janela e projeta a luz sobre a rocha. Através da mesma janela, na madrugada, durante os dias do solstício de inverno, é possível observar a constelação das plêiades (aglomerado de estrelas azuis, também chamadas de "sete estrelos" e "sete cabrinhas"). 

No mesmo complexo do Templo do Sol, mais abaixo, há ainda outro destaque: a "Tumba Real" (ou "Templo da Mãe Terra", ou ainda "Templo Pachamama"), com três degraus que representam os três animais sagrados dos incas: a cobra (mundo das trevas); o puma (que representa o presente); e o condor (representativo do mundo celestial). É, como diz o nome, uma reverência à "Pachamama", a mãe terra, tão adorada pelos incas.



O Templo do Sol, em Machu Picchu.
O abastecimento de água na cidade sagrada era feito por 16 fontes. São obras de pura maestria inca: todas as fontes estão conectadas por canais definitivos, desenhados com extraordinária precisão, para que a água fluisse com pouca filtração e de maneira controlada.

A Praça Sagrada, por sua vez, era um espaço onde se realizavam cerimônias especiais. Para o explorador Bingham, a Praça Sagrada é constituída do Templo Principal, da Sacristia, da Casa do Alto Sacerdote, do Templo da Três Janelas e da Intihuatana. Destaque para a Sacristia, que tem duas rochas ladeando a entrada, uma das quais com 32 ângulos.

Uma visão da Praça Sagrada de Machu Picchu.

A "Intihuatana" é uma pedra que indica precisamente as datas dos solstícios e equinócios, além de outros períodos astronômicos importantes. É um dos maiores símbolos de Machu Picchu.  O nome quer dizer "poste de amarrar o sol", já que os incas afirmavam que o sol ficava preso na rocha, durante o solstício de junho (dia do inverno, 21 de junho), o dia mais importante do ano para eles.

Intihuatana, em Machu Picchu.


A "Rocha Sagrada" imita a forma de uma montanha. Era usada pelos incas como altar, para reverenciar os "Apus" (deuses da montanha, da água e da fertilidade). Vale dizer que antropólogos consideram que a rocha espelha a "Pumasillo" (garra do puma), situada na cordilheira Vilcabamba. 

A imponente "Rocha Sagrada".

Dois outros templos ainda valem a visita em Machu Picchu: o do "Condor" e o das "Três Janelas". 

O "Templo do Condor" , segundo a maioria dos historiadores, era o local onde as múmias incas eram colocadas durante as cerimônias em homenagem ao condor, uma das divindades incas. 

Templo do Condor.
O "Templo das Três Janelas", por sua vez, era também dedicado à "Pachamama". Em 21 de junho, solstício de inverno, raios solares ingressam pelas três janelas, originando uma projeção de sombras simétricas. Arqueólogos encontraram debaixo das janelas grande quantidade de restos de cerâmicas decoradas. 


Outro ponto bastante interessante de Machu Picchu é a "Sala dos Espelhos Astronômicos" (ou "Los Morteros"). As pedras nesse local, espelhos d´água, talhadas em forma circular, tem quase o mesmo diâmetro e possuíam funções astronômicas.  Assim, o que está apontando em direção ao norte servia para observar os equinócios (momentos que marcam o início da primavera ou do outono)  e o outro espelho para detectar o solstício de inverno.

Sala dos Espelhos Astronômicos, os "Espejos de Água" de Machu Picchu.
 


O sol refletindo no espelho d´água.

O setor agrícola inclui a "Cabana do Guardião", a "Rocha dos Sacrifícios" (ou "Rocha Funerária") e os terrenos agrícolas.  

A Cabana do Guardião, como o próprio nome entrega, era um lugar de vigilância da cidade. Por ser o ponto mais alto, era possível que o guardião vigiasse todos os pontos de acesso à cidade. O bom de se observar a cabana é que ela é uma ideia perfeita de como eram as casas do complexo de Machu Picchu. Ou seja, como era a cidade sagrada se não estivesse só em ruínas como hoje.

A "Cabana do Guardião".


A "Rocha dos Sacrifícios" ou "Rocha Funerária" , perto da "Cabana", era um altar para sacrifícios, inclusive de animais como lhamas. Bingham achava que era, na verdade, uma laje mortuária, na qual os imperadores eram colocados para serem mumificados.

Por sua vez, os terrenos agrícolas compõem o visual da cidade sagrada de maneira belíssima. Desenhados para aclimatar espécies tropicais em grandes altitudes e também para suportar chuvas intensas, os terrenos agrícolas serviam para o cultivo de coca, quinua, batatas, plantas medicinais, entre outras.





É possível subir na "Montanha Jovem" ("Huayana Picchu"), mas é bom que se diga que se trata de uma caminhada "quase vertical de tirar o fôlego em mais de um sentido", nas palavras de Patrícia Schultz, do famoso guia "1000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer".  Pelo que já vi nas fotos tiradas de lá, não acho que vale a pena - há ângulos melhores para se apreciar a cidade perdida dos incas. Mas há quem goste. Não é, portanto, aconselhável para pessoas com dificuldades de locomoção em geral.



Aqui inicia-se a subida para Huayna Picchu, a Montanha Jovem.
Há ainda duas outras caminhadas no sítio arqueológico: a que vai para a Ponte Inca, que demora uma hora (ida e volta); e a que vai a Inti Punku, com muitos lugares usados para cerimônias incas e de onde é possível observar outra perspectiva da cidade perdida (dura duas horas).

Enfim, a cidade sagrada e perdida dos incas, patrimônio mundial pela UNESCO desde 1983, é uma dos sítios arqueológicos mais impressionantes do mundo. Sem dúvida, um lugar para se conhecer antes de morrer.