segunda-feira, 19 de junho de 2017

O UMBIGO DO MUNDO

Cusco, Peru, o “Umbigo do Mundo”. A designação vem do quéchua, a língua dos ancestrais dos peruanos daquela região e falada hoje ainda por mais de dez milhões de pessoas, que chamavam a cidade de “Qosqo”, que quer dizer literalmente “Umbigo do Mundo”.  É uma designação muito mais mística que racional, símbolo da energia que emana do local, afinal o umbigo, embora não tenha a importância de um coração, de um fígado, de um pulmão, é, no dizer dos cientistas, o centro de gravidade e de equilíbrio do corpo humano.   Ou seja, unido a experiência científica com a crença dos cusquenos, podemos sintetizar que tudo que havia no mundo, até então em grande parte desconhecido dos incas,“gravitava” em torno de Cusco.

A capital inca pode não ser o umbigo do mundo (como eles acreditavam ser), mas é a capital cultural do Peru moderno e a sétima cidade do país em termos populacionais. Cusco está para os incas assim como Meca está para os muçulmanos. Enfim, Cusco sintetiza o sincretismo cultural derivando do império inca e dos espanhóis que o subjugaram. 

Até na religião o sincretismo manifesta-se: ao catolicismo típico dos espanhóis juntou-se as manifestações pré-hispânicas de povos como os incas, que veneravam, por exemplo, a “Mãe Terra” (Pachamama) e o Deus Sol (Inti).. A isso podemos dar o nome de “catolicismo popular peruano”. Cusco, aliás, é uma cidade com muitas igrejas, muitas mesmo. A maioria, na cor marrom, sendo as mais importantes, e bonitas, as da Praça das Armas.  Mas é também ali que se celebra a “Festa do Sol”, ou “Inti Raymi”, no solstício de inverno, que não é uma celebração propriamente católica, mas na qual todos os cusquenos participam. Em junho, aliás, a cidade ferve por conta dos festejos culturais: todas as comunidades e pequenas cidades da região participam de um desfile muitas vezes animado por carros alegóricos e bonecões parecidos com os de Olinda.. Uma festa alegre, bela e segura.

A cidade tem um encanto diferente. Muitos prédios históricos estão entre os mais bonitos da América, o que torna o passeio em meio à altitude bem mais agradável. 

San Blas é o bairrinho típico de Cusco. É como Montmartre em Paris, só que em termos cusquenhos: artistas de rua, uma igreja pitoresca e belos casarios compõe o local. No caminho para San Blas, a partir da praça principal da cidade, aparece um muro formado por pedras típicas dos incas, que é uma atração local e chamada de “Pedra de Doze Ângulos” e muitas lojinhas de suvenires, que vendem principalmente as bonequinhas (e bonequinhos) de “bumbum” grande.  Mas não somente bonequinhas de bumbum grande aparecem pela frente – há também as senhoras com suas inconfundíveis lhamas, um dos animais símbolos do Peru, prontas para tirar uma foto com turistas a troco de parcos nuevos soles.

Enfrentar Cusco é tarefa árdua. A sua altitude, de 3.400m, é uma das maiores do mundo em termos urbanos. O mal de altitude, que por lá chamam de “soroche”, cobra o seu preço e o chá de coca é a salvação das pobres almas desacostumadas (ou desafortunadas). Há ainda uma balinha de coca, mas seu efeito não é comprovado; parece um toffee, porém sem gosto algum. Sinto cheiro de enganação no ar, e vejo verdade só na ajuda do chazinho....

Mas não só na altitude residem os problemas na adaptação à Cusco. A cidade também é contraindicada para albinos, já que os índices de radiação ultravioleta por lá alcançam o patamar de 25, sendo que o nível considerado satisfatório é no máximo 11. A explicação dada por cientistas é que o Peru está localizado perto da zona equatorial, sendo que a incidência de raios solares acaba atingindo o território de maneira perpendicular.  Soma-se a isso a falta de chuvas e céus encobertos que permitem a passagem fácil dos raios e temos uma situação extrema.

Cusco é para os fortes e para os que têm sede de cultura. Há muito a se admirar nessa cidade, que inspira descobertas.

domingo, 18 de junho de 2017

ARGÉLIA

Bandeira do país



A bandeira argelina tem as duas faixas verticais, nas cores verde e branco. Além disso, tem uma estrela vermelha de cinco pontas dentro de uma lua crescente. As cores representam o islã (verde), a pureza e a paz (branco) e liberdade (vermelha). A lua crescente e a estrela é um símbolo islâmico. A lua crescente tem ainda um significado importante para os argelinos, que acreditam que ela traz felicidades.

Mapas do país

 
A Argélia, país mediterrâneo do Norte da África, cuja capital é Argel (Algiers).



A Argélia faz fronteira com diversos paises, entre eles o Marrocos, a Tunísia e a Líbia. 

Dados do país


Nome do país:   República Democrática Popular da Argélia (Al Jumhuriyah al Jaza´iriyah ad Dimuqratiyah ash Sha´biyah).

Nome do país (simplificado): Argélia (Algeria ou Al Jaza´ir). 

Continente/localização: África. Norte da África, fronteira com o Mar Mediterrâneo, entre Marrocos e Tunísia.

Área: 2.381.741 km quadrados (10ª área no mundo). 



Fronteiras: 6.734 km, sendo 989 km (Líbia), 1.359 km (Mali), 460 km (Mauritânia), 1.900 km (Marrocos), 951 km (Níger), 1.034 km (Tunísia), 41 km (Saara Ocidental). 



Litoral: 998 km. 



Clima:   Árido/semiárido.



Pontos Extremos: O ponto mais baixo é Chott Melrhir 40m; e o mais alto é Tahat, com 3.003m.

Recursos Naturais: petróleo, gás natural, minério de ferro, 

Capital:  Argel (2.915.000). 


Cidades principais: Oran (769 mil); Constantine (462.000).


Língua: Árabe (oficial), francês, berber ou tamazight (oficial), dialetos incluindo Kabyle Berber (Taqbaylit), Shawiya Berber (Tacawit), Mzab Berber, Tuareg Berber (Tamahaq). 


Religião: Islamismo (98%). Os sunitas predominam.


Moeda: Dinar Argelino.


População: 39.542.166 (2015). 34ª maior população do mundo. 


Atrações turísticas principais:  Além dos sete patrimônios mundiais da UNESCO (Al Qal´a of Beni Hammad, Djemila, Timgad, Vale de M´Zab , Tipasa, Kasbah de Algier e Tassilli N´Ajjer),  destacam-se o "Oued Souf"(oásis, que atrai muitos visitantes durante a festa do tapete entre março e abril); Cânion de Goufi;  Ruínas de Chercell;  Ruínas Romanas de Tirgzit;  Nedroma et Les Trara; Os Mausoléus Reais de Numídia, da Mauritânia e Monumentos Funerários Pré-Islâmicos; Parque Nacional Gouraya; Parque Nacional El Kala; Forte Santa Cruz; Basílica Nossa Senhora da África; Parque Nacional Djurdjura; Museu Nacional Bardo; Praias  (Madagh, Chenoua, Les Andalouses, Cachoeira El-Ourit, Dardara.



Forte de Santa Cruz. Por Ramy Maalouf , CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons.


Canion de Goufi. Por Hamza-sia , CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons.


Mausoléu Real da Mauritânia. Por Lamine Bensaou, CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons.


Dardara. Por Bachounda , CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons. 

Patrimônios Mundiais UNESCO:  A Argélia possui sete locais inscritos como "Patrimônio Mundial", sendo 6 deles "culturais" e um misto (cultural e natural). São eles:

Al Qal´a of Beni Hammad (1980).  Localizada em um lugar montanhoso bastante bonito, Al Qal´a foi a primeira capital da dinastia bérbere dos hamaditas. Construído em 1007 e demolida em 1152, a cidade é um exemplo notável de cidade islâmica fortificada. A mesquita é uma das maiores da Argélia. 

Ruínas da capital dos Hamaditas. Por Fdebbi. CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons.
Maquette de la Qalaâ de Beni Hammad, Por Yelles Talk ,  CC BY-SA 3.0, WC


Djémila (1982). Situada 900 metros acima do nível do mar, Djémila, também chamada de Cuicul, é um interessante exemplo de cidade romana planejada e adaptada para uma localização montanhosa. Tem fórum, templos, basílicias, arcos do triunfo e casas. 

Djémila. Por: Rapidtravelchai. CC BY 2.0.  In: Wikimedia Commons.

 Vale de M´Zab  (1982). O Vale é um tradicional habitat humano, criado no século 10 pelos ibaditas (segundo islámologos, é o ramo do islã, derivado dos Kharijitas, responsável pela morte de Ali, quarto califa e aclamado pelo xiitas como sucessor de Maomé). É um local fonte de inspiração para urbanistas dos dias de hoje, dado o planejamento simples, funcional e perfeito, adaptado ao meio ambiente.


M´Zab. Vale. Argélia. Por فاطنة رائعة -  CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons. 


 Timgad (1982). Excelente exemplo de cidade romana planejada, Timgad, localizada na montanha Aures (uma extensão da cadeia do Atlas na Argélia). 

O Arco Romano de Timgad. Por Rateb, CC BY-SA 3.0, in: Wikimedia Commons.
    
Tipasa (1982) . Localizada na costa do Mediterrâneo, Tipasa foi uma cidade comercial púnica conquistada pelos romanos e transformada em uma base estratégica para a conquista dos reinos da Mauritânia. Ela condensa um grupo de ruínas fenícias, romanas, bizantinas, além de monumentos indígenas como o Kbor er Roumia, o grande mausoléu do rei da Mauritânia.

Tipasa. Por Kebel. CC BY-SA 4.0. In: Wikimedia Commons.
 

 Kasbah of Algiers (1982). O "Kasbah" é um tipo de medina ou cidade islâmica. Localizada em um belo lugar da costa do Mediterrâneo, com vista para as ilhas onde o comércio cartaginês foi estabelecido quatro séculos antes de Cristo. Existem resquícios da cidadela, velhas mesquitas e palácios de estilo otomano assim como resquícios da estrutura urbana tradicional associada a um enraizado senso de comunidade. 

Casbá de Argel. Por Reda Kerbush , CC BY-SA 3.0, in: Wikimedia Commons.

Tassilli N´Ajjer (1982).  Localizado em uma paisagem estilo lunar de grande interesse geológico, Tassilli tem uma dos mais importantes grupo de arte pré-histórica em caverna do mundo. Mais de 1.500 desenhos e gravuras registram as mudanças climáticas, as migrações de animais e a evolução da vida humana no entorno do Saara de 6.000 anos antes de Cristo aos primeiros séculos da era atual.  As formações geológicas forma um maravilhoso cenário, com pedras de areia erodidas formando "florestas de pedra".

Dados geográficos/políticos/econômicos/sociais do país:

História do país:   

1. A história do país começa cinco séculos antes de Cristo. Pelas terras argelinas viviam os povos nativos do Norte da África, conhecidos pelos gregos como "berberes". Os berberes foram empurrados para o interior por vários dominadores, a saber, fenícios, romanos, vândalos, bizantinos, árabes, turcos e franceses.  

2. Depois de mais de um século de dominação francesa (início em 1830), os argelinos lutaram, durante toda a década de 50, pela independência, que finalmente veio em 1962. A Guerra pela Independência da Argélia é marcada pelos historiadores entre os anos de 1954 e 1962. Mais de um milhão de cidadãos franceses que viviam na Argélia (os chamados "pés negros" ou "pieds noirs") deixaram o país no período posterior à independência.

3. 3 de julho de 1962 é a data de independência do país. Em setembro do mesmo ano, Ahmed Ben Bella foi eleito e uma nova constituição foi aprovada por referendo. 

4. Em 1965, o presidente Ben Bella foi deposto por golpe de estado não-violento promovido pelo Coronel Houari Boumediente, considerado o construtor da "Moderna Argélia". Boumediene só viria a ser eleito em 1976 e governou até sua morte, em 1978.

5. Chadli Bedjedid foi eleito presidente em 1979, 1984 e 1988, sendo que uma nova constiuição foi adotada em 1989.

6. O partido político mais tradicional da Argélia, a "Frente de Libertação Nacional "(FLN), foi estabelecido em 1954, lutou pela independência do país e desde então domina a política argelina. 

7. Em 1988, depois de intensa pressão popular, instituiu-se no país o sistema multipartidário.  No entanto, o surpreendente resultado da eleição de 1991 em primeiro turno, na qual o partido radical "Frente Islâmica de Salvação" teve votação expressiva, levou o governo a intervir militarmente, adiando o segundo turno, para se evitar uma radicalização islâmica do país.

8. A situação gerou uma insurgência dos radicais islâmicos entre os anos de 1992 e 1998, gerando mais de 100.000 mortes. O governo venceu a batalha e a frente armada do partido, o "Exército de Salvação Islâmica" foi desfeito em 2000. 

9.   Abdelaziz BOUTEFLIKA, com apoio dos militares,  venceu as eleições em 1999, 2004, 2009 e 2014.

10. Em 2011, o governo, em resposta à "Primavera Árabe" (série de levantes populares contra governantes que estavam há muito tempo no poder, no Oriente Médio e Norte da África), lançou uma série de medidas, entre as quais se destacam a ampliação da participação política feminina nas assembleias locais e o abandono do "Estado de Emergência" decretado dezenove anos antes. 

11. A queda no preço do petróleo, desde 2014, gerou crise na Argélia, devido a dependência do país em relação a receitas dos hidrocarbonetos.

sábado, 22 de abril de 2017

A BELA CIDADE DO PANAMÁ!

Cinco de séculos de história e uma cidade em constante progresso rumo à modernidade. Uma mistura de um passado interessante com um futuro promissor, ainda que conviva com graves problemas sociais. Eis um resumo do que é a Cidade do Panamá, capital do país localizado na América Central. 

A Skyline da Cidade do Panamá - setor moderno- impressiona.
Em termos turísticos, a Cidade do Panamá pode ser dividida em quatro regiões de interesse: "Panamá Moderno", "Casco Viejo" (ou "Casco Antíguo", ou ainda "Centro Histórico"), "Panamá Viejo" (ou "Velho Panamá") e o "Canal do Panamá"

O Canal do Panamá já tem postagem específica no blog. Veja aqui.

Vamos começar pela história da cidade, sintetizada em dois belos locais da cidade, o "Panamá Viejo" e o "Casco Viejo".

A Cidade do Panamá foi fundada em 15 de agosto de 1519.  A fundação do povoado é consequência do descobrimento, pelos espanhóis, do Mar do Sul (hoje Pacífico) em 1513. Na época, foi batizada como "Nossa Senhora da Assunção do Panamá", sendo o primeiro assentamento europeu da costa do Pacífico nas Américas. No local, apenas havia uma vila de pescadores. Durante mais de um século, as riquezas trazidas principalmente do Peru passavam pela Cidade do Panamá antes do destino final, que era a "metrópole" europeia.

Panamá Viejo foi o primeiro local colonizado pelos espanhóis. Hoje, há ruínas em um belo parque. Ruínas que mostram que ali existiu uma cidade colonial interessante, composta de igreja, praças e ruas de traçado ortogonal. Apesar do saque do pirata Morgan em 28 de janeiro de 1871, muitas ruínas permaneceram de pé, entre elas as pontes do Matadero e Del Rey, os conventos de Mercês, São Francisco, Companhia, Santo Domingo e São José, o convento de monjas da Concepção, o Hospital São João de Deus, a Catedral, as Casas Terrín e Alarcon. Tudo isso foi declarado patrimônio mundial da UNESCO em 1997. Foi, enfim, uma das cidades coloniais com maior atividade comercial durante os séculos XVI e XVII. 

A antiga Catedral. Ruínas de Panamá Viejo. Foto: Rodolfo Aragundi. CC BY-SA 2.0.

Destruída a velha cidade colonial do Panamá (hoje representada pelas ruínas de Panamá Viejo), construiu-se, dois anos depois (21 de janeiro de 1673), uma nova cidade colonial em um local mais adequado. A construção coube ao então governador Antonio Fernandez de Córdoba, que inaugurou uma nova cidade em uma península natural rodeada de recifes, situada oito quilômetros a oeste da primeira. É o que hoje conhecemos como "Casco Viejo" da Cidade do Panamá, também declarada patrimônio mundial da UNESCO em 1997. 

O Casco Viejo estava inteiramente sob muralhas já no século XVIII. As ruas também tem um perfeito traçado ortogonal. Vale dizer que, curiosamente, embora tenha história mais antiga, o atual traçado urbano do Casco Viejo data do final do século XIX e primeira metade do século XX, já que três grandes incêndios no século XVIII (1737, 1756, 1781) e quatro no século XIX (1864, 1870, 1874, 1878), destruíram a maioria dos edifícios antigos da cidade intramuros. 

Entre os destaques do  Casco, naturalmente as igrejas merecem uma menção especial. A Catedral, situada na Praça Maior, tem uma fachada interessante e duas altas torres brancas. A Igreja das Mercês (Iglesia de La Merced), teve sua frente construída por pedras trazidas pelo Panamá Viejo. O ponto alto, no entanto, é o soberbo altar de ouro da Igreja de São José. Outros lugares religiosos dignos de nota no Casco são as ruínas da Igreja Companhia de Jesus, as ruínas do convento e Igreja de Santo Domingo, o Oratório de San Felipe e Néri e o Convento e Templo de São Francisco.

Igreja de La Merced, no Casco Viejo.
O belíssimo altar de ouro da Igreja de São José, um dos mais bonitos do mundo.

Catedral Metropolitana. Casco Viejo. Foto: Wikimedia Commons.

Belo casario colonial do Casco Viejo.

O belíssimo Casco Viejo.

Igreja de São Francisco. Casco Viejo.


Outra interessante observação no Casco Viejo são as muralhas, que outrora serviram de defesa da cidade colonial. Rodeiam a Praça da França e sua Bovedas (sistema defensivo), onde antes se situava a Porta de Chiriquí e os restos da fortaleza Mano de Tigre. Sobre os restos da fortaleza "Porta da Terra" se construiu a mansão Arias Feraud, ocupada atualmente pela Prefeitura.  A antiga contadoria ou Casas Reais converteu-se, após sucessivas restaurações, no Palácio da Presidência, e o cabildo no atual Palácio Municipal, situado na Praça Maior.  Três edíficios são mais modernos: Museu Interoceânico, Palácio Nacional e Teatro Nacional. 

Praça da França no Casco Viejo.

Bovedas.
Vale dizer, hoje muitas casas do Casco Viejo - destaque para a Casa Góngora, estão em processo de restauração, com o objetivo de recuperar a paisagem urbana da primeira metade do século XX.

Por fim, vale trazer aqui o Panamá Moderno. A Cidade do Panamá desenvolveu-se seguindo o litoral. Desde o Casco Viejo, a Avenida Balboa, costeira, conduz até Punta Paitilla, lugar em que se agrupam arranha-céus ao estilo Dubai, Honk kong e Nova Iorque. 

"O Parafuso" ("El Tornillo"), prédio de banco no setor financeiro, em forma helicoidal.
A recuperação das terras que pertenciam ao Canal do Panamá e, consequentemente, das mãos dos Estados Unidos da América, possibilitou novos assentamentos populacionais na cidade e abertura de locais emblemáticos, como o "Passeio do Amador" (Amador, ou melhor, Manuel Amador Guerrero, foi o primeiro Presidente da República do Panamá, entre 1904 e 1908), um estreito pedaço de terra que une o continente com as ilhas Perico, Flamenco, Naos e Culebra. O local é bastante agradável, servindo para as atividades físicas dos panamenhos, além de ter um duty-free. Perto, destaque para o Biomuseo, com uma arquitetura diferenciada em sua fachada.

O Passeio do Amador tem o tradicional letreiro.

Biomuseo. Foto: F. Delventhal. In: Wikimedia Commons.

Toda grande cidade tem um pulmão. O da Cidade do Panamá é o Parque Natural Metropolitano, com seus 265 hectares de bosques.

O Panamá Moderno tem ainda magníficos hotéis (destaque para o impressionante Hard Rock Megapolis), prédios emblemáticos (além do próprio Hard Rock, merecem destaque o "Parafuso" e o Hotel Trump), restaurantes, cassinos (aos montes), museus, centros de convenções. Uma cidade bacana. 

Perto do Canal, destaque para o Mirante de Las Américas, com uma homenagem à presença chinesa no Panamá, um belo local com uma maravilhosa vista.



terça-feira, 18 de abril de 2017

EIRE E ULSTER!

A Ilha da Irlanda é um dos destinos mais fascinantes do mundo. Além da comentada hospitalidade característica dos nativos da ilha, a Irlanda encanta pelas soberbas belezas naturais. Mas, importante fazer a diferenciação: existem duas Irlandas- a "República da Irlanda" (ou "Eire") e a "Irlanda do Norte" (ou "Ulster").

A Irlanda (República da Irlanda, Eire) e a Irlanda do Norte. 

A República da Irlanda, ou Eire (nome do país em irlandês), possui a maior fração territorial da ilha irlandesa. É independente do Reino Unido e tem como capital Dublin. É formada por 26 (vinte e seis) condados, sendo três da antiga província do Ulster. A maioria da população é católica, demonstrando assim independência e autonomia em relação à coroa britânica. Independência que, como ato político, foi declarada em 1916, mas reconhecida somente em 1922. 

Bandeira da República da Irlanda (Eire). 

A bela Catedral de Galway, na Irlanda. Foto: Wikimedia Commons  CC BY-SA 3.0.

Já a Irlanda do Norte, cuja capital é Belfast, faz parte do Reino Unido, juntamente com Inglaterra, País de Gales e Escócia. Muitas pessoas chamam a Irlanda do Norte de Ulster, embora isso seja parcialmente correto, já que realmente a Irlanda do Norte tem seis condados da antiga província do Ulster em seus domínios; no entanto, outros três, como dissemos anteriormente, estão sob os domínios da República da Irlanda. Assim, boa parte do antigo Ulster, mas não a totalidade,  está dentro da fronteira norte-irlandesa (seis dos nove condados). 

Bandeira da Irlanda do Norte (evoca o Ulster).  
Não é mais utilizada oficialmente. 

A Calçada do Gigante na Irlanda do Norte. Foto: WC CC BY-SA 3.0

A população da Irlanda do Norte, vale dizer, é, na maioria, protestante, por influência de colonos ingleses e escoceses que estiveram por ali séculos atrás - o chamado "período dos assentamentos", que teve início durante o reinado de Jaime I (1567-1625), principalmente no século XVII.

Hoje, a situação é mais pacífica entre protestantes e católicos, mas já houve época em que o IRA (Irish Republican Army, ou Exército Republicano Irlândes), braço armado dos católicos, juntamente com o Sinn Fein, o braço político, lutaram pela união entre a Irlanda do Norte e Irlanda, ou seja, pela independência da parte norte da Irlanda em relação à Inglaterra. O IRA, durante muitas décadas, promoveu atentados em busca de seus objetivos, sendo a luta armada travada contra exércitos organizados defensores do Ulster (os chamados "Unionistas"). Em um desses trágicos encontros, na cidade de Derry (hoje "Londonderry"), 14 católicos foram mortos no dia que foi considerado o "Domingo Sangrento"(30 de janeiro de 1972). A música "Sunday Bloody Sunday", da banda irlandesa U2, faz referência a esse trágico episódio.

Depois de muitas lutas, firmou-se o "Acordo de Belfast" ou "Acordo de Sexta-Feira Santa", em 10 de abril de 1998, no qual definiu-se pelo compartilhamento de poder entre protestantes e católicos naquele país e uma maior autonomia da Irlanda do Norte, inclusive com a formação de uma assembleia legislativa e a possibilidade de sempre definir seu futuro político por meio de seus próprios cidadãos.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O MAGNÍFICO CANAL DO PANAMÁ!

15 de agosto de 1914. Nesse dia especial, foi inaugurada uma obra que seria considerada por muitos uma das maravilhas da engenharia moderna e um marco no comércio marítimo internacional: o Canal do Panamá.  A história do Canal é intensa e fascinante, com bastante repercussão inclusive na história do interessante país da América Central.

Eclusa de Miraflores, Canal do Panamá.
Antes do mergulho na história da obra, é bom que se diga que o Canal do Panamá é uma abertura realizada para a passagem de navios, do Oceano Atlântico para o Pacífico e vice-versa. A construção é um marco na engenharia, que contou com explosão de montanhas (Corte Culebra) e enfrentamento de doenças (entre elas, as principais foram a malária e a febre amarela, que dizimaram cerca de 25.000 pessoas). Tem extensão de 82 km.  Basicamente, três fatores contribuíram para que o Panamá fosse o local adequado para a construção do canal: istmo estreito, um rio caudaloso (no caso, o Rio Chagres) e um regime de chuvas abundantes. A partir dessas adequações, a engenharia se encarregou de construir um canal com eclusas (obras de engenharia hidráulica, espécie de elevadores que permitem que navios subam ou desçam em locais desnivelados) com a água como protagonista maior.

Definido o que vem a ser o Canal do Panamá, abriremos espaço para um pouco da história bastante interessante da maravilhosa obra de engenharia.

O marco dessa história é 1513. Nesse ano, o explorador espanhol Vasco Nuñes de Balboa (1475-1519), após atravessar com dificuldades o istmo do Panamá pela inóspita região de Dárien, descobriu o "Mar do Sul", posteriormente renomeado para "Pacífico". 

A partir do descobrimento, já em 1514 a coroa espanhola demonstrava interesse em procurar uma passagem pelo estreito istmo que unisse os dois oceanos, o Atlântico e o Pacífico. Não logrou êxito em encontrar a passagem, mas mesmo assim ordenou a construção do Caminho Real, utilizado por muitos anos para o transporte de mercadorias do Peru e de outras regiões da costa do Pacífico  até as feiras de Portobelo, no Caribe. 

Outro marco histórico para o Canal do Panamá foi 1527, ano em que dois navegadores espanhóis chamados Hernando de La Serna e Pablo Corzo descobriram que o rio Chagres era navegável até cinquenta quilômetros rio acima de sua foz. Chagres que foi, posteriormente, o rio ligado ao Canal. 

O interesse espanhol em explorar uma possível ligação entre os oceanos chamou a atenção de outros países, sendo certo que dois se sobressaíram nessa árdua tarefa: a França e os Estados Unidos

A França ganhou o direito de explorar a região para a construção de um canal ainda no ano de 1878. Nesse ano, o congresso da Colômbia (sim, o Panamá era parte da Colômbia) aprovou o "Convênio Salgar-Wise", que conferiu a uma empresa francesa concessão por 99 anos para a construção da ligação oceânica. Para o projeto foi chamado o construtor do Canal de Suez, o francês Ferdinand de Lesseps, que decidiu por onde deveria ser construído o canal. O marco inicial do projeto francês foi 1880, lançada a pedra fundamental na foz do Rio Grande, localizada na costa pacífica panamenha. Em 1884, já eram 17.000 homens trabalhando, a maioria de origem caribenha, contingente que foi sendo paulatinamente dizimado pelas doenças. Foram 6.300 mortes entre 1882 e 1903, sendo esse um dos principais fatores da desistência da França em construir o canal De positivo, apenas a remoção de sessenta milhões de metros cúbicos de terra, o que facilitou  a exploração posterior do local..

A fase que sucedeu a francesa foi a americana. Essa fase foi deflagrada, e decidida entre várias opções (uma era construir um canal na Nicarágua),  pelo histórico presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt (1858-1919).

Em 3 de novembro de 1903 o Panamá conquistou a sua independência em relação à Colômbia. No entanto, iniciou-se a época de domínio americano sobre o país central-americano. Tal domínio adveio da Convenção do Canal Istmíco, ou melhor, Tratado Hay-Bunau-Varilla, assinado no mesmo ano da "independência" do país, mais precisamente 15 dias depois - 18 de novembro de 1903, pelo qual se concedeu aos americanos uma faixa de terra de dez milhas de largura de um oceano ao outro, além de alguns bairros da capital (!) e ilhas da baía do Panamá. Enfim, o Panamá foi literalmente dominado pelos americanos a partir de 1903. Foi dominado, mas diga-se de passagem que os panamenhos protestaram, sendo o acontecimento mais marcante a revolta de 21 jovens contra o governo americano, em 09 de janeiro de 1964, que ficou conhecida como "Dia dos Mártires". . Esse dia de descontentamento e lutas foi fundamental na recuperação do Canal para os panamenhos, que se concretizou através da celebração do Tratado de Torrijos-Cartes em 1977. No entanto,  a retirada americana  somente se deu em 31 de dezembro de 1999. Desde essa data a soberania panamenha sobre seu território e sobre o Canal é absoluta.  96 anos depois da independência em relação à Colômbia, o Panamá conseguia a independência em relação aos Estados Unidos da América. 

Hoje, o Canal opera a todo vapor, 24 horas por dia, 365 dias por ano. Funciona por um simples sistema: as eclusas. Eclusas são espécies de elevadores, impulsionadas pelas águas. Considerando-se que os dois oceanos estão no mesmo nível, as eclusas tem como única finalidade elevar barcos até o nível do Lago Gatún (26 metros acima do nível do mar) para posteriormente baixá-los de novo, em operação inversa. As três eclusas tradicionais são a de Gátun (nas proximidades do Oceano Atlântico, com três degraus), de Pedro Miguel (um degrau) e de Miraflores (nas proximidades do Oceano Pacífico, com dois degraus).  As três eclusas comportam apenas navios Panamax.

Uma ampliação do Canal, finalizada em 2016, inaugurou mais dois conjuntos de eclusas, a saber, Eclusa de Aguas Claras (próxima à Eclusa Gatun, com três degraus) e a Eclusa Cocoli (próxima a Eclusa de Pedro Miguel, com três degraus), que, somadas a amplição da capacidade do Lago Gatun permitem o acesso a navios ainda maiores no Canal, os Post-Panamax (que são os navios porta-contentores).

A eclusa mais turística, e mais próxima da capital panamenha, é a de Miraflores. É o mais interessante local para se observar a travessia de navios no Canal e o mais próximo da Cidade do Panamá (tem até ônibus local para os turistas). Além do mirante de observação, Miraflores conta ainda com um interessantíssimo museu sobre o Canal do Panamá, com toda a história e todas as curiosidades da magnífica obra, além de uma sala de cinema, onde é exibido um filme com a história do Canal. Uma curiosidade interessante é o uso das chamadas "mulas", pequenas embarcações utilizadas para rebocar, frear e manter o navio centrado na câmara.Dentro do Canal o capitão do navio passa o comando para o homem que conduz a "mula".

Eclusa de Miraflores, Canal do Panamá.
O Mirante de Miraflores é bastante concorrido.
Canal do Panamá. Miraflores.
Explosões para a construção do Canal. Museu do Canal, em Miraflores.
Quadro em exposição no Museu do Canal em Miraflores.
Comportas se abrindo para a passagem de um navio Panamax. Miraflores.
Navio fazendo a passagem.

Navio fazendo a passagem.

Navio fazendo a passagem.
A bacia do canal conta ainda com Parques Nacionais (Chagres, Soberania, Camino de Cruces, Altos de Campana) e o Monumento Nacional Isla Barro Colorado.

Para os turistas, além dos lugares de visitação nas eclusas, há ainda a opção de atravessar o canal, em um tour que exige mais paciência - demora oito horas.

sábado, 11 de março de 2017

SAN BLAS, PARAÍSO CARIBENHO DOS GUNA YALA!

O Panamá, país localizado na América Central (porção continental, istmo), entre Colômbia e Costa Rica, tem 10 (dez) províncias e 03 (três) comarcas indígenas. A comarca Guna Yala (pronuncia-se "Kuna Yala"), localizada no lado do Oceano Atlântico, da qual faz parte o paradisíaco arquipélago de San Blas, do qual falaremos a seguir, é uma das três comarcas indígenas (as outras duas são a Emberá, bastante turística e a Ngabe-Buglé, a mais populosa).
A comarca Guna Yala no Panamá em vermelho. Lado Atlântico. Foto: Shadowfox.

Inicialmente, vale ressaltar que a etnia indígena Guna (Kuna) domina o fabuloso conjunto de ilhas conhecido como San Blas (estamos adotando essa nomenclatura, embora esteja já em desuso, por lei editada em 1998). 

O arquipélago de San Blas  é constituído de 365 pequenas ilhas49 delas habitadas, além de uma estreita faixa continental do território panamenho (conforme mapa acima).

San Blas é um verdadeiro paraíso na terra, com ilhas pequenas ( com proximidade uma das outras), praias com boas porções de areia e o mar na tonalidade "azul-caribe" (além de outras cores, que contrastam com essa). Ali, os índios cobram dos visitantes taxas de visitação das ilhas, dirigem os pequenos barcos (dizem que são lanchas!), controlam os horários dos turistas, alugam cabanas (resorts e hotéis de grandes cadeias não existem por ali - aliás, nem há estrutura para isso). Enfim, os indígenas fazem de tudo um pouco, vivendo de turismo, artesanato, agricultura e pesca

Uma paradisíaca praia na Isla Perro em San Blas. Águas mornas e belas.
Importante trazer aqui também um pouco da curiosa e instigante história dessa comunidade indígena e seus aspectos culturais mais peculiares.

Sabe-se que os Guna, enquanto comunidade organizada, surgiram a partir da criação da Comarca Tulenaga, por lei colombiana de junho de 1870. Tal comarca se estendia muito além da atual comarca Guna Yala, abrangendo desde a atual Colón, no Panamá, até o Golfo de Urabá, na Colômbia. Com a intensa exploração dos índios e sua terra por outros povos, ocorreu o maior e mais amplo movimentos dos Guna: a Revolução Guna, liderada por Nele Kantule em 1925, que resultou na efêmera República de Tula (durou apenas alguns dias). Curiosamente, os índios adotaram uma bandeira com a suástica como símbolo, abandonada no decorrer da Segunda Guerra, justamente pela apropriação do símbolo pelos nazistas. Conta-se que a suástica representava o polvo que, segundo a tradição Guna, havia criado o mundo. As pontas da suástica eram os tentáculos desse povo, cada uma delas representando um ponto cardeal, que seriam o arco-íris, o sol, a lua e as estrelas.


A curiosa bandeira Guna da Revolução. Foto: s/v Moonrise. CC BY-SA 3.0
A atual bandeira Guna, utilizada inclusive nas embarcações, é a seguinte:

Bandeira de Guna Yala atual, adotada em 2010. Foto: Shadowfox.

Outras curiosidades a se destacar: um censo de 1990 indicou uma população de 40.000 gunas, hoje a estimativa gira em torno de 54 mil habitantes; a capital é El Porvenir; os Gunas seguem uma religião naturalista, evocando a "Mãe Terra" (similar aos incas peruanos), chamada  "Paba y Nana"; os Guna são monogâmicos e os pais escolhem a esposa para os filhos; o ritual do matrimônio dura de três a cinco dias, e o noivo é levado à casa da noiva e submetido a várias provas para saber se é realmente o par ideal da filha; após o casamento, o novo marido passa a viver debaixo da tutela do sogro.

Voltando ao passeio, temos que, quando se chega no terminal, a sensação é de um pouco de medo. Um local inóspito, com mar agitado e pequenos barcos. Barcos que os índios insistem em chamar de "lanchas". Mas, enfim, turismo é isso: os fins (conhecer um paraíso como San Blas) justificam o meio (arriscar-se nos pequenos barcos).



Aqui se pegam os barquitos.



Piscinas naturais cheias de estrelas do mar compõem o passeio a San Blas.
Estrela do mar em San Blas.
As ilhas, todas parecidíssimas, com muitos coqueiros e areia branca, valem o sacrifício. Algumas fotos ilustram a beleza singular do lugar, única até mesmo em termos caribenhos:

A beleza do local.
Paraíso.



Bela ilha tropical.
Uma advertência a quem for visitar as ilhas: o passeio é difícil para quem tem dificuldade de locomoção. O sobe e desce dos barcos é custoso, já que sempre o passageiro tem que pular e subir, muitas vezes na água do mar. A melhor época para visitação vai de dezembro a abril. Para se chegar até lá, a partir da Cidade do Panamá, são duas horas e meia, sendo os últimos quarenta minutos em estrada sinuosa que desafia os estômagos dos visitantes (muitos enjoam com as viradas e o calor). É importante lembrar também que o passeio rumo às ilhas, mar adentro, demora cerca de 30 (trinta) minutos, com muito sobe e desce das lanchas nas águas, dada as ondas que surgem no Atlântico.

Por fim, vale destacar aqui a marca registrada dos Gunas (Kunas) Yala: o artesanato chamado "molas". que é, basicamente,  panos de cores vivas, confeccionadas artesanalmente pelas índias. Neles, a criadora sobrepõe panos uns sobre os outros, desenhando figuras primitivas de objetos naturais, mitológicos ou geométricos. Pode servir como adorno no próprio vestuário, ou ainda como almofada, ou mesmo pano de mesa.  Um trabalho realmente bonito e diferente. Vale conferir.

Um belo trabalho de molas.

Uma índia Kuna e, atrás, os trabalhos denominados "molas", comuns no Panamá.